Aqui vai um artigo sobre o que Ed Stafford já manifestou pensar sobre o Brasil — com base em entrevistas, relatos de suas expedições e o que ele escreveu/publicou. É uma mistura de observações pessoais, críticas e otimismo.
Ed Stafford e o Brasil: entre maravilhas, desafios e esperança
Quando Ed Stafford atravessou a Amazônia a pé — desde a nascente no Peru até a foz no Brasil — ele teve contato direto com realidades muito distintas dentro do país, tanto no que diz respeito à natureza quanto às pessoas, às comunidades e às instituições. Suas impressões pintam um retrato complexo: encantamento, consternação, críticas estruturais, mas também esperança.
1. A natureza como palco de beleza e dor
Ed destaca repetidamente a grandiosidade da floresta amazônica: sua diversidade, sua imponência, a sensação de isolamento, o contato direto com rios, vegetação densa, vida selvagem. Ele fala de momentos “fantásticos”, como banhos em rios ou ao redor de fogueiras, quando está totalmente imerso no ambiente.
Mas ele também fala da dor: ver mata cortada, áreas que já foram floresta virando apenas vegetação secundária ou pasto. A devastação não é algo distante; é real, visível, “de partir o coração”.
2. A hospitalidade das pessoas
Uma das impressões mais repetidas de Stafford é que, ao entrar no Brasil, especialmente na região amazônica, ele se sentiu bem-vindo. Ele menciona a comida caseira oferecida por moradores, o fato de muitas vezes recusarem dinheiro — “não aceitam dinheiro, me dão comida” — e o sorriso e curiosidade das pessoas, principalmente quando percebem o que ele está fazendo, de onde veio. ([O Globo][2])
Isso contrasta com os primeiros trechos da expedição, onde havia muito mais desconfiança ou hostilidade. Com a chegada ao território brasileiro, ele relata que encontros com comunidades foram muito mais positivos em geral.
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3. Críticas à exploração e ao poder
Stafford reconhece que há um desequilíbrio claro entre o poder das autoridades, das estruturas de mando (governos locais ou nacionais), e a voz de comunidades indígenas ou ribeirinhas. Ele critica: leis que existem mas que não são cumpridas; desmatamento não fiscalizado; extração de madeira, exploração de gado e outras atividades que degradam a floresta e favorecem apenas quem já está num patamar de vantagem.
Ele também menciona que “os velhos donos do poder ainda estão mandando, e são eles que se beneficiam da exploração da floresta” e que isso dificulta a mudança.
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4. Otimismo com a nova geração e mudança de atitudes
Mesmo diante da devastação, Stafford demonstra esperança. Ele afirma que percebe uma consciência ambiental crescente entre muitos brasileiros — especialmente entre jovens — que sentem orgulho da Amazônia e se incomodam com sua destruição.
Em entrevista, ele comentou que “o brasileiro médio é muito mais consciente ambientalmente do que as pessoas que estão no poder”. Isso o leva a crer que, com políticas certas, leis funcionando, e participação da sociedade, há chance de preservação e mudança.
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5. O papel das comunidades indígenas e locais
Ele valoriza muito o contato com comunidades indígenas, ribeirinhas e moradores locais. Reconhece que essas populações têm saberes práticos, conhecimento do ambiente, e formas de viver que frequentemente são subestimadas ou ignoradas. Por exemplo, em vários momentos, sua passagem dependia de permissão de comunidades indígenas, ou de guias locais.
Também, Stafford expressa que essas comunidades sentem os impactos diretos do desmatamento ou da exploração, muitas vezes mais do que quem está distante. E, para ele, seu testemunho é também contar as histórias dessas pessoas
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6. Desafios logísticos, emocionais e geográficos
Além da crítica ambiental ou social, ele fala muito sobre os próprios desafios: mapas imprecisos ou desatualizados; grandes distâncias sem povoado; escassez de alimentos; doenças tropicais; isolamento; atitudes de desconfiança; e como o físico e o psicológico ficam tensionados.
E que, apesar de tudo isso, o Brasil, especialmente na Amazônia, foi um dos momentos mais marcantes de seu percurso — em parte por causa desses desafios, em parte pela natureza e pelas pessoas.
7. Reflexões pessoais e legado
A jornada por território brasileiro parece ter solidificado em Ed uma espécie de compromisso de vida com a Amazônia. Ele já disse que nunca mais veria a região da mesma forma, que sua perspectiva sobre conservação, direito ambiental, comunidades tradicionais mudou.
Além disso, ele valoriza que a aventura não seja só sobre “chegar ao fim” ou sobre registro para si, mas sobre viver o presente, os encontros, as dificuldades diárias — prestar atenção nas pequenas coisas.
Conclusão: uma visão de respeito crítico
Em resumo, o que Ed Stafford pensa sobre o Brasil é uma mistura de:
respeito profundo pela natureza e pelo povo,
preocupação real com a destruição ambiental e com as falhas de fiscalização e governança,
admiração pela hospitalidade e pela curiosidade das pessoas,
esperança de que com educação, consciência e mudança política seja possível preservar mais do que se destrói.
Essa visão vai além de estereótipos como “floresta exótica” ou “selva inóspita”: ele vê o Brasil como um país de contrastes fortes, de belezas avassaladoras e de desafios enormes — e para ele, isso torna a Amazônia brasileira um lugar que merece não só exploração, mas proteção, empatia, valorização.

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